quarta-feira, 3 de setembro de 2014

O DISCRETO PAPEL DA CERVEJA NAS ELEIÇÕES

Recentemente foi divulgado que uma das três empresas responsáveis por 65% do financiamento das campanhas eleitorais dos onze candidatos a Presidência da República é a AMBEV.

Quais seriam os interesses das empresas de cerveja no financiamento de campanha dos candidatos a Presidência, Senado e Congresso Nacional?

Em 1996, a Lei Federal em vigor, Nº. 9.294/1996 que regula as restrições a publicidade de bebidas foi modificada pela “bancada da bebida”, formada por deputados e senadores que representavam o interesse deste grupo. Na época, uma comitiva de artistas, publicitários, esportistas etc, em uma grande articulação das indústrias de cervejas, das agências de publicidade e dos meios de comunicação, compactuaram e pressionaram os parlamentares para que a cerveja não fosse incluída na Lei.

Mesmo contra todos os argumentos do Ministério da Saúde, o lobby venceu, e a Lei excluiu das restrições à publicidade bebidas como a cerveja, cujo teor alcoólico é igual ou inferior a 13 graus Gay-Lussac, permitindo assim, que a “gelada” escapasse das restrições à publicidade da TV, como aconteceu com as bebidas destiladas (whisky,vodca, etc).

Nos últimos 10 anos, o extraordinário investimento em publicidade de cerveja, algo em torno de mais 4 bilhões de reais anuais, e o aumento da renda do brasileiro, ampliaram nacionalmente o consumo de cerveja, especialmente entre jovens e mulheres

A falta de controle federal, estadual e municipal, de regras e penas mais rígidas, fiscalização, culpabilidade, de uma comunicação ética e responsável, aliado a falta de educação, maturidade e responsabilidade de quem dirige embriagado, criaram uma  “horda de zumbis” que, como podemos acompanhar diariamente, matam e ferem motoristas, passageiros, pedestres, ciclistas, motociclistas e o que cruzar os seus caminhos

O prejuízo em números de vítimas fatais e invalidez no trânsito é maior do que a soma das mortes causadas pela indústria de cigarro, pelo simples e trágico fato que apenas um motorista alcoolizado, pode eliminar toda uma família.

Anualmente são mais de 100.000 mortos, e em torno de 500 mil vítimas de traumatismo causados por acidentes no trânsito por excesso de álcool no sangue. E os números não param de crescer.

Diante da brutalidade dos números e dos fatos, parte da sociedade civil e do governo, buscam encontrar saídas para estancar esta quantidade absurda de mortos e feridos

Segundo a OMS, Organização Mundial da Saúde, uma das medidas mais eficazes para diminuir as mortes de transito é a regularização da publicidade de cerveja. Não adiantaria colocar apenas uma mensagem no final do texto enquanto se estimula, a qualquer custo, e de qualquer forma, o consumo.  O ideal seria, assim como foi feito com o cigarro, banir definitivamente a propaganda de cerveja da Televisão e rádio no Brasil, ou no mínimo regulariza-la.

Mas o desafio é muito grande. O time que representa a indústria de cerveja inclui senadores e deputados, muitos deles donos de concessões de emissoras que recebem parte dos bilhões que são veiculados em propaganda de cerveja, o homem mais rico do Brasil, as redes de TV e Rádio, portais, revistas, agências de publicidade e promoção, as entidades que as representam, como ABAP - (Associação Brasileira das 

Agências de Publicidade), Conar - (Conselho Nacional de Regulamentação Publicitária), o Sindcerv – (Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja), entre outros.

Nenhuma emissora comercial de TV ou Rádio, permite que se divulgue ou se associe, em seus jornais ou programas de reportagem, qualquer conexão entre violência no trânsito e publicidade de bebidas alcoólicas. 

Muitas vezes, o próprio programa que denuncia e expõe as tragédias das mortes nas estradas no carnaval é patrocinado por uma empresa de cerveja.

As poucas exceções são os portais independentes, as emissoras públicas, educativas e culturais como a TV Brasil, TV Cultura, TVT - TV dos Trabalhadores, que não precisam do dinheiro dos anunciantes de cerveja e podem se posicionar de forma critica e independente. Mas, infelizmente, é pouco, muito pouco, comparado a audiência dos gigantes da mídia. Está provado que a exposição à publicidade de bebidas alcoólicas está relacionada com um consumo maior e mais precoce, principalmente entre adolescentes e adultos jovens.

Na época em que a propaganda de cigarros era permitida, houve uma grande agência de propaganda que se notabilizou por não atender contas de cigarro e nem por isso faliu ou deixou de prosperar. Se a propaganda de cerveja for regularizada, o país como um todo irá ganhar.

A campanha ”Cerveja Também é Álcool” que propõe a alteração do parágrafo único do artigo 1º da Lei Federal 9.294/96 para que as restrições à publicidade passem a abranger toda e qualquer bebida, com graduação alcoólica igual ou superior a 0,5 grau Gay-Lussac esta disponível na web. Para  assinar a petição online, clique https://www.change.org/cervejatemalcool ou a versão impressa :http://www.sbp.com.br/pdfs/peticao_publica.pdf


Fonte:Diário do Centro do Mundo

terça-feira, 2 de setembro de 2014

NÃO EXISTE MACONHA MEDICINAL, AS EVIDÊNCIAS SÃO CADA VEZ MAIS CONSISTENTES

Acompanho há 40 anos os efeitos psiquiátricos da canábis. Estagiando em Londres, meu primeiro paciente havia recebido o diagnóstico de Psicose Canábica. Para mim, tratava-se de um caso de esquizofrenia, apenas precipitado pelo uso intenso de maconha. Nos primeiros anos da minha carreira, atendi diversos jovens com a mesma história e apresentação. Ultimamente me surpreendo com o açodamento em promover a liberalização do uso da maconha (e outras preparações com altos teores de THC), justamente quando as evidências são cada vez mais consistentes de uma relação direta com graves problemas de saúde geral e mental.

Argumentos como “maconha medicinal é imperativo humanitário”, “perdemos a guerra para o tráfico”, “é mais seguro que tabaco e álcool”, “faltam provas de que tais efeitos são devidos à canábis”, “quem tiver problema pode optar por se tratar”, “uso de drogas é problema da Saúde”, me parecem fruto de desinformação ou deliberadamente enviesados. Enquanto isso é debatido e amplamente divulgado por todos os meios de comunicação, o consumo dessas substâncias é crescente, especialmente entre os jovens – exatamente os mais vulneráveis. Como especialistas, temos que alertar a sociedade para os riscos imediatos para a Saúde Pública decorrentes da atual situação.

O ano de 2002 marca, para mim, o ponto de inflexão na postura responsável de um profissional de saúde mental informado. Em três anos, uma série de publicações de estudos prospectivos indicando aumento no risco relativo ajustado de psicose esquizofreniforme (não-afetiva) realizados na Suécia, Nova Zelândia, Holanda, Alemanha e Israel foi um alerta como jamais havíamos tido. Taxas duas a três vezes maiores para psicoses potencialmente irreversíveis com uso frequente e precoce foi o que mais chamou minha atenção. Hoje, conforme o quadro anexo, essas taxas são ainda maiores (Quadro 1). Escrevi, em 2003, um editorial sobre isso naStress Medicine, intitulado “Cannabis Psychosis – smoke and fire”. Quem acompanha a vida de jovens como os que atendi no começo da minha carreira ou o personagem (irmão) do filme de Lucia Murat , “Uma longa viagem” (2012), sabe que a única esperança é a detecção precoce e abstinência imediata. Pouco, porém, me parece ter sido feito até que o debate esquentou com o movimento internacional de liberação do uso “medicinal” em vários estados americanos e recreativo no Uruguai, no Colorado e em Washington, amplificado desde fins da última década, com a entrada de eminentes políticos nesse movimento, altamente orquestrado.

E o que sabemos hoje? Alterações cognitivas potencialmente irreversíveis (“demenciais”, portanto), com prejuízo para aprendizado e desempenho profissional relevante, psicoses esquizofreniformes (podemos denominar alguns desses quadros como síndromes esquizofrênicas ou esquizoafetivas, uma vez que componentes causais não devem excluir tais diagnósticos, como se exigia para as “psicoses endógenas”), depressão e ansiedade (detectadas em estudos prospectivos em mulheres jovens), transtorno esquizotípico de personalidade, dependência (hoje não exigimos mais delirium ou convulsão para falarmos em dependência física) que, juntamente com as alterações de pensamento, motivação, juízo e crítica dificultam sobremaneira a adesão aos tratamentos disponíveis, co-morbidade com outras patologias, e uso concomitante de outras substâncias psicoativas, com somação de efeitos, entre outros. Tudo isso agravado pelos altos teores de THC (e de outros componentes menos explicitados) nas preparações atuais, com relação dose-resposta, por exemplo, para as psicoses. Na saúde geral, além dos conhecidos efeitos respiratórios, a Sociedade Americana de Cardiologia emitiu este ano um alerta geral para os riscos vasculares cardiológicos, cerebrais e periféricos, responsáveis por notável aumento de atendimentos de emergência nos Estados Unidos.

Legalizar vai abalar o tráfico? Onde estão as evidências disso? De qualquer forma, essa não é uma questão primordial nesse mundo corrompido e combalido em que vivemos. Se nossos líderes se consideram vencidos, devemos seguir sua sugestão de rendição? Do ponto de vista da Saúde, é preciso lembrar que não temos cura para muitos desses graves problemas. Dizer que isso ocorre em organismos vulneráveis nada muda: tais vulnerabilidades não podem, ainda, ser detectadas pela Ciência ou pela Medicina. Prevenção primária raramente é possível em Saúde Mental e aqui é a nossa melhor opção. Como tem sido dito e repetido, mas parece que nunca é suficientemente compreendido: defender o uso de alguns canabinóides com ação terapêutica demonstrada (ou mesmo razoavelmente presumida) para quadros específicos, resistentes a outros tratamentos, ou seu desenvolvimento como medicamento para outras finalidades, nada tem a ver com o uso de preparações totais da planta. Não existe maconha medicinal. Expor a população, especialmente os jovens, a agentes que participam da gênese ou precipitação de patologias incuráveis, com potencial de deixar sequelas irreversíveis ou provocar morte súbita é irresponsável e incompatível com a tradição e a ética médica.

Fonte: Uniad

Bebidas energéticas podem fazer mal ao coração, aponta estudo

Os energéticos, bastante consumidos por jovens em festas, podem levar a problemas no coração, diz estudo apresentado neste domingo durante o Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, que acontece em Barcelona até quarta-feira. Segundo o autor da pesquisa, da Faculdade de Medicina de Nice, na França, o consumo em excesso dessas bebidas pode levar a condições adversas incluindo angina, arritmia cardíaca e até mesmo morte súbita.

Cerca de 96% dessas bebidas possuem cafeína, com uma lata típica de 250 mililitros contendo o equivalente a dois cafés expressos. A cafeína é um dos mais potentes estimulantes dos receptores de rianodina e leva a uma grande liberação de cálcio dentro das células cardíacas. Isso pode causar arritmias, mas também tem efeitos sobre a capacidade do coração de se contrair e usar oxigênio.O estudo analisou diversos casos associados ao consumo de energéticos entre janeiro de 2009 e novembro de 2012 e contou com a participação de 15 especialistas, incluindo cardiologistas, psiquiatras, neurologistas e fisiologistas. 

Durante o período, foram reportados 257 casos, sendo que 212 forneceram informações suficientes para análise.Os especialistas informaram que, dos casos reportados, 95 apresentaram sintomas cardiovasculares, 74, psiquiátricos; e 57, neurológicos, com sobreposição em alguns. Paradas cardíacas ou mortes inexplicadas aconteceram em ao menos 8 dos casos, enquanto 46 pessoas apresentaram arritmia, 13 tinham angina e 3, hipertensão.Nós encontramos que a síndrome da cafeína era o problema mais comum, acontecendo em 60 pessoas. Ela é caracterizada por taquicardia, tremores, ansiedade e dor de cabeça. 

Eventos raros, mas severos, também foram associados a essas bebidas, como morte súbita, arritmia e parada cardíaca.O estudo recomenda que pessoas que já apresentam algum problema no coração devem evitar o consumo de energéticos, pois a cafeína pode exacerbar a condição com consequências fatais. Ademais, registrou-se alerta sobre o risco de consumo dessas bebidas durante exercícios físicos ou misturadas com álcool.

Publicidade

O público precisa saber que os energéticos não devem ser consumidos durante ou após exercícios físicos, como outras bebidas desenvolvidas para esse propósito. Quando usados em coquetéis alcoólicos, a cafeína das bebidas energéticas permite que os jovens superem os efeitos negativos do álcool, levando a um consumo ainda maior de cafeína.

Sugere-se também que os médicos alertem pacientes com doenças cardíacas sobre o risco potencial dessas bebidas. Os pacientes raramente mencionam o consumo de bebidas energéticas aos médicos, a não ser que sejam questionados.


Fonte: O globo

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Tabagismo também prejudica a visão

A obstrução da veia central da retina, provocado pelas alterações do tabaco, causa cegueira imediata, sendo, na maioria das vezes, irreversível
Na última sexta-feira (29), foi comemorado o Dia de Combate ao Fumo. Estima-se que, anualmente, 5 milhões de pessoas morram em decorrência do tabaco. Além de acarretar uma série de complicações respiratórias e cardíacas, o tabagismo afeta, também, a saúde ocular. 

“O cigarro prejudica o organismo como um todo, principalmente, os sistemas respiratório e vascular, diminuindo a oxigenação e enrijecendo as veias e artérias. Esse processo aumenta a densidade do sangue e diminui a elasticidade dos vasos sanguíneos de todo o corpo, inclusive, dos olhos”, alerta o oftalmologista Emerson Duarte Dutra, do Visão Institutos Oftalmológicos.

O especialista ressalta que uma das estruturas oculares mais afetadas pelo tabaco é a retina, visto que este é um tecido altamente vascularizado. “O endurecimento das veias e artérias provoca uma queda na oxigenação e nutrição das células. A baixa vascularização causa a morte gradual das células nervosas presentes na retina, levando à Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI), ou seja, a baixa progressiva da visão”, esclarece o médico.

Outro fator de risco para os fumantes é a formação de coágulos e trombos nos vasos sanguíneos. Isso pode acarretar a obstrução e/ou o rompimento de veias e artérias importantes para os olhos, o sistema nervoso central (provocando o AVC), coração, rins, etc. “A obstrução da veia ou artéria central da retina causa cegueira imediata, sendo, na maioria das vezes, irreversível. Em outros casos, o rompimento dos vasos pode levar a hemorragias internas no fundo do olho, ocasionando a baixa da visão”, explica Dr. Emerson Duarte Dutra.

Por fim, o oftalmologista lembra que o tabagismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de morte evitável e de maior crescimento no mundo. “A melhor forma de manter a saúde, inclusive, a ocular, é abandonar este hábito e fazer acompanhamento médico periodicamente”, finaliza.

Fonte: Maxpress net

OMS iguala cigarro eletrônico ao comum

A Organização Mundial da Saúde (OMS)recomenda que os cigarros eletrônicos sejam tratados como normais, pelo menos no que se refere à proibição do fumo em locais fechados, limites à publicidade e venda para menores. Cautelosa, a entidade prefere esperar por novos estudos antes de liberar o produto e insiste que o cigarro eletrônico precisa ser regulado pelos governos nacionais.

Hoje, 466 marcas disputam um mercado avaliado em US$ 3 bilhões. O interesse é tão grande que mesmo algumas das maiores empresas do setor também lançaram produtos. Só na Europa, 7 milhões de pessoas seriam usuárias. Mas, em grande parte do mundo, a venda não está regulamentada, uma realidade que a OMS exige que seja modificada.

O que pesou na decisão da organização foi o fato de que, apesar de eletrônico, o consumo de nicotina continua a existir, ainda que a taxas variadas, além de outros ingredientes. Esses compostos podem levar a tumores e, segundo a própria OMS, o que sai dos cigarros eletrônicos "não é apenas vapor". O contato da nicotina nos lábios e pele também é considerado como um risco à saúde.

Provas

A entidade questiona o suposto impacto que o produto tem para ajudar a deixar de fumar, um argumento usado pelos vendedores e empresas do setor. Para a OMS, as provas são "limitadas" e não se pode tirar qualquer tipo de conclusão.

O que mais preocupa a entidade é que, sem regulamentações, o cigarro eletrônico possa ser na verdade um convite ao fumo, principalmente uma inserção ao cigarro para os adolescentes. Por isso, a OMS pede que se proíba esse produto em locais onde não se pode fumar e a publicidade também cumpra as mesmas normas dos cigarros convencionais. Isso pelo menos até que os fabricantes "mostrem provas científicas".

 No início do ano, o Parlamento Europeu aprovou uma lei sobre o cigarro eletrônico e deu duas opções aos vendedores. Se quiserem tratar o produto como uma ajuda a deixar de fumar, precisam inscrevê-lo como um produto médico, o que exige passar por dezenas de testes. A segunda opção foi de registrar o produto como um cigarro, o que foi a escolha do setor.

Fonte:Info, Abril

Tabagismo: políticas públicas devem incluir campanhas para jovens

O tabagismo está relacionado a 50 tipos de doenças, como cânceres de pulmão, da boca e faringe, além de problemas cardíacos, envelhecimento precoce da pele e disfunção sexual. Para que o número de fumantes no país caia ainda mais, a prevenção é o ponto mais ressaltado por especialistas para marcar o Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado hoje (29).

Para a diretora clínica do Centro Paulista de Oncologia (CPO), Mariana Laloni, as campanhas voltadas para adolescentes e jovens devem estar sempre na pauta das políticas públicas. "Vemos campanhas nas datas [específicas], não é algo contínuo", disse a oncologista. "Dificilmente você vê uma pessoa iniciar o tabagismo com 40 ou 50 anos de idade. A regra é iniciar dos 15 aos 25 anos. Hoje conhecemos muito mais a doença, quantificamos melhor o risco, temos ferramentas para diagnósticos mais precoces, melhores tratamentos, drogas mais direcionadas. Entretanto, não podemos esquecer do comecinho, que é mais simples e mais barato: educação e prevenção", acrescentou.

Para o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, Daniel Knupp, o Brasil tem políticas de combate ao tabagismo exemplares, como as fotos nos maços de cigarro, a restrição do fumo em lugares públicos, taxação de impostos sobre a indústria do tabaco e a proibição de propagandas de cigarro na TV. "Mas é importante que novas ações e campanhas estejam sempre sendo desenvolvidas. Precisamos evitar o primeiro contato, as pessoas precisam desde cedo ter acesso às informações sobre os perigos do cigarro", comentou Knupp.

Segundo ele, a expansão da atuação dos médicos de família no território brasileiro é outra grande ferramenta de prevenção que deve ser fortalecida, sobretudo entre adolescentes. "Acompanho pacientes de 14, 15 anos de idade, em que fiz o pré-natal das mães deles. Então, o grau de personalização dessa relação, de intimidade, é muito maior e isso facilita o debate do tema na consulta ", contou.

A coordenadora de Vigilância de Agravo e de Doenças não Transmissíveis e Promoção da Saúde do Ministério da Saúde, Deborah Malta, citou uma série de ações do governo que têm contribuído para a queda contínua do número de fumantes no país, sobretudo a partir de 2011, com o Plano de Enfrentamento a Doenças Não Transmissíveis. No caso dos adolescentes, Deborah citou como inciativas de prevenção a proibição da propaganda de cigarro, a taxação alta da indústria do tabaco, que aumenta o preço do cigarro, a advertência nos maços, com alertas e fotos de impacto, e o Programa Saúde na Escola.

"Há uma parte dedicada à prevenção do uso do tabaco, com materiais e suporte para os profissionais de saúde e educação, para que sejam capacitados a abordar esse tema com os adolescentes", comentou. "Nossa pesquisa de 2012 mostrou que a prevalência do tabaco na adolescência é em torno de 5%. Essa é a menor prevalência das Américas, depois apenas do Canadá", informou Deborah.

Dados do ministério mostram que em 2006 a prevalência de fumantes era 15,6% e, em 2013, esse percentual caiu para 11,3%.

"E com uma queda sustentável, anual, tanto em homens quanto em mulheres, em todas as faixas de escolaridades, em todas as faixas de idade e em todas as regiões do Brasil. Nossa meta é reduzir em mais 30% a prevalência de fumantes até 2022", disse ela.

Fonte: Info Abril

Estudo mostra efeitos do alcoolismo na vida profissional

Angústia, ansiedade e depressão são alguns dos sentimentos desencadeados nos trabalhadores que mergulham no vício do alcoolismo, mostra estudo de mestrado realizado pela psicóloga Ana Claudia Petrini Spessotto com trabalhadores alcoólatras, seguidos em serviços de saúde de Ribeirão Preto. Os primeiros dados da pesquisa revelaram que o alcoolismo no trabalho é um dos principais fatores de absenteísmo, baixo rendimento, acidente de trabalho e o causador de doenças mentais e físicas. Revelaram também que a maioria dos entrevistados não têm mais condições de manterem a vida profissional, e estão fazendo tratamento para se livrarem da dependência alcoólica.

O estudo mostra que além do transtorno profissional, o álcool faz com que os trabalhadores enfrentem a perda da identidade social e consequentemente o respeito da família e da sociedade.

A pesquisadora entrevistou, em agosto de 2012, onze pacientes atendidos pelos projetos sociais: Programa de Ações Integradas para Prevenção e Atenção ao uso do Álcool e Drogas da Comunidade (PAIPAD) do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP (HCFMRP), e o Centro de Atenção Psicossocial aos Usuários de Álcool e outras Drogas (CAPSAD) de Ribeirão Preto. O objetivo foi apontar as principais consequências do uso habitual de álcool na vida pessoal, profissional e na saúde desses trabalhadores.

Para levantamento dos dados Ana Claudia optou por uma metodologia qualitativa que não requer um grande número de entrevistados, já que o intuito é aprofundar a história de cada participante. A princípio a pesquisadora frequentou os projetos sociais e só deu início as entrevistas depois de conquistar a confiança dos pacientes. Os entrevistados foram abordados separadamente, e entrevistados pessoalmente por meio de um questionário oral contendo os pontos essenciais da pesquisa.

Além de psicóloga, Ana Claudia Petrini Spessotto é graduada em Direito e especialista em Direito do Trabalho, e o interesse inicial da pesquisadora se restringia a apurar a repercussão das leis trabalhistas previstas pela CLT como a dispensa por justa causa por motivos de embriaguez habitual. Porém, após analise dados obtidos viu-se a importância do aspecto social do alcoolismo. "A minha motivação pela pesquisa se altera a cada momento, se tornando cada vez mais fundamentada em uma problemática social necessária de ser abordada, buscando-se alterações legais e de politicas públicas para o tratamento do tema em discussão", afirma Ana Cláudia.

O Ministério da Saúde divulgou recentemente em seu site, que o alcoolismo é o terceiro maior motivo pelo qual os trabalhadores se afastam do trabalho. A pesquisa Alcoolismo e trabalho: repercussões na vida profissional, pessoal na saúde do trabalhador é orientada pela professora Vera Lúcia Navarro, do Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP. A previsão é de que o trabalho seja apresentado no final de 2014. 

Fonte: Cruzeiro do Sul