terça-feira, 9 de setembro de 2014

UMA EM CADA SEIS PESSOAS QUE FUMAM MACONHA NA ADOLESCÊNCIA SE TORNA DEPENDENTE

A psiquiatra Nora D. Volkow, diretora do Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas dos Estados Unidos, acaba de prestar mais uma contribuição a um dos debates quentes e atuais na fronteira tênue entre saúde e justiça. Num momento em que tantos países – entre eles, o Brasil – discutem os prós e contras da legalização da maconha (para uso medicinal ou recreativo), Nora reuniu num artigo científico o conhecimento mais atualizado sobre os efeitos da droga.

Está lá um bom resumo do que se sabe hoje sobre os danos provocados pela maconha e sobre os possíveis benefícios no tratamento de doenças. O trabalho foi publicado ontem (05/06) no New England Journal of Medicine. 
Nesta coluna, destaco as principais conclusões da equipe de Nora, uma das mais respeitadas pesquisadoras sobre drogas em todo o mundo.

DEPENDÊNCIA

Cerca de 9% daqueles que experimentam maconha vão se tornar dependentes. Entre os que fumam maconha todos os dias, a taxa de dependentes chega a 50%. Um em cada seis garotos que começam a usar a droga na adolescência se torna dependente. A probabilidade de apresentarem sintomas de dependência dois anos após a primeira experiência é até quatro vezes mais elevada que a verificada entre os que começam a usar a droga na idade adulta.

DESENVOLVIMENTO DO CÉREBRO

O uso de maconha na adolescência é a grande preocupação dos especialistas. O desenvolvimento do cérebro só fica completo por volta dos 21 anos. Antes disso, ele é altamente vulnerável a agressões ambientais, como a exposição ao tetrahidrocanabinol (THC), um dos principais componentes da maconha.

SAÚDE MENTAL

Em vários estudos, o uso regular da droga foi associado a um risco mais elevado de desenvolvimento de ansiedade e depressão. Ainda não foi possível estabelecer uma relação de causa e efeito. Não se sabe se a maconha é, de fato, a causa dessas doenças. A droga também parece aumentar o risco de psicoses (entre elas, a esquizofrenia). 
Isso ocorre, em especial, entre as pessoas que já têm uma predisposição genética à doença. Em pessoas com esquizofrenia, a droga pode exacerbar a doença. Um estudo demonstrou que o uso regular de maconha pode antecipar o primeiro surto em até seis anos.


DESEMPENHO ESCOLAR

A droga pode provocar falhas de memória que dificultam o aprendizado e capacidade de reter informações. Alguns estudos demonstram que os dependentes de maconha têm pior desempenho escolar e maior probabilidade de abandono dos estudos. Pode ocorrer também um déficit cognitivo. O QI (coeficiente de inteligência) dos que fumaram maconha com frequência durante a adolescência tende a ser mais baixo.

ACIDENTES DE TRÂNSITO

A exposição imediata ou frequente à maconha prejudica as habilidades motoras e aumenta o risco de acidentes de trânsito. Nos Estados Unidos, a maconha é a droga ilícita mais frequentemente associada a desastres nas ruas e estradas.

CÂNCER E OUTRAS DOENÇAS

O risco de tumores malignos em pessoas que fumam maconha continua não esclarecido. As evidências disponíveis sugerem que o risco de câncer é maior entre os que fumam tabaco. A maconha pode provocar inflamações nas vias aéreas e doenças crônicas como bronquite. A droga também tem sido associada a um risco mais elevado de problemas vasculares que podem provocar infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Essa relação é complexa e ainda não está completamente esclarecida.

Como se vê, a crença de que fumar maconha é um prazer inofensivo não passa de mito. As evidências mais atuais reunidas por Nora podem contribuir para o debate sobre o uso recreativo da droga. Há um segundo debate, ainda mais doloroso, sobre o uso da maconha para fins medicinais.

Atualmente a importação de remédios feitos a partir de componentes da maconha não é liberada no Brasil. Só pode ocorrer com autorização judicial. Famílias de pacientes que sofrem com doenças graves (como epilepsia resistente a qualquer medicamento convencional) depositam esperança no tratamento com produtos como o spray Sativex, do laboratório britâncio GW Pharmaceuticals.

As famílias tinham a expectativa de que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberasse a importação de medicamentos como esse. No dia 29, a Anvisa decidiu adiar a decisão.  É possível que a liberação de importação não saia tão cedo.

"No mercado, não há remédio só à base de canabidiol”, disse Dirceu Barbano, diretor-presidente da agência. “Mesmo que o canabidiol seja aprovado, as pessoas não poderão importar os medicamentos porque eles têm, em sua composição, outras substâncias proscritas." É o caso do Sativex. Além do canabidiol (CBD), ele contém THC.

Segundo Barbano, a agência não tem informações suficientes sobre os efeitos colaterais que o canabidiol possa provocar. “O CBD tem sido usado no Brasil em crianças e nós não detemos informações na literatura de qual é a consequência orgânica do uso de médio e longo prazo por crianças de diferentes idades. É dever da Anvisa evitar os efeitos colaterais e alertar sobre os riscos”.   

No artigo publicado ontem, Nora relaciona o conhecimento mais recente sobre o papel da maconha no tratamento de doenças. Um resumo:

ESCLEROSE MÚLTIPLA

O spray oral Sativex, uma mistura de THC e CBD, demonstrou ser eficaz no tratamento da esclerose múltipla, da dor neuropática e de distúrbios do sono. Está disponível no Reino Unido, no Canadá e em outros países. Nos Estados Unidos, ainda não recebeu a aprovação da FDA, a agência que controla medicamentos.

GLAUCOMA

Há evidências de benefícios da maconha em pacientes com glaucoma, uma doença associada ao aumento da pressão no olho. A droga reduz a pressão intraocular, mas o efeito é transitório. Tratamentos convencionais já existentes são mais eficazes. A discussão persiste e outros estudos são necessários.

NÁUSEAS

Ajuda a combater náuseas provocadas pela quimioterapia. Foi um dos primeiros usos médicos do THC e outros canabinóides.

ANOREXIA

Relatos médicos indicam que a maconha melhora o apetite e favorece o ganho de peso em pessoas com aids. Faltam estudos de longo prazo que justifiquem a adoção de maconha por pacientes que tomam drogas contra o HIV.

DOR CRÔNICA

A maconha é usada há séculos para aliviar a dor. Tanto a maconha quanto o dronabinol, uma formulação farmacêutica à base de THC, são capazes de reduzir dores. O efeito proporcionado pelo dronabinol mostrou-se mais prolongado.

INFLAMAÇÃO

Os canabinóides (THC e canabidiol) têm efeito antiinflamatório. O canabidiol tem atraído especial interesse como tratamento porque não provoca efeitos psicoativos. Estudos com animais revelaram que o canabidiol pode se tornar um recurso promissor contra a artrite reumatoide e doenças intestinais inflamatórias, como colite e doença de Crohn.

EPILEPSIA

Uma pequena pesquisa realizada com pais de crianças que sofrem convulsões frequentes, publicada no ano passado, trouxe alguns dados. Participaram apenas 19 famílias que trataram os filhos com maconha com alto teor de canabidiol.

Duas famílias (11% da amostra) declararam que a criança ficou completamente livre de convulsões. Oito famílias (42%) observaram redução superior a 80% na frequência das crises. Seis famílias (32%) notaram redução de até 60% na frequência dos episódios.

Embora esses relatos sejam promissores, faltam informações sobre a segurança e a eficácia do uso de maconha no tratamento da epilepsia. Em animais, há cada vez mais evidências da contribuição do canabidiol como um agente antiepilético.

Diante do sofrimento de um filho, as famílias têm pressa. É compreensível que se sintam inconformadas com os trâmites burocráticos e as intermináveis reuniões das autoridades sanitárias.

A sociedade brasileira também tem pressa. Quer uma solução eficaz de combate ao tráfico de drogas. A legalização da maconha é defendida por gente séria e bem intencionada. O erro é tentar minimizar os danos à saúde que o fácil acesso à droga pode acarretar.

A maconha consumida hoje não é a mesma dos anos 60. A potência da droga (o conteúdo de THC) verificada em amostras confiscadas pela polícia americana não para de crescer. Nos anos 80, era de 3%. Em 2012, chegou a 12%. 
Não há razão para acreditar que a droga disponível no Brasil seja menos perigosa.
A maior permissividade cultural e social em relação à maconha aumentará o número de adolescentes expostos regularmente à droga? No caso de uso generalizado de maconha, quais serão os efeitos do fumo passivo? Ninguém sabe.

“O efeito de uma droga (legal ou ilegal) sobre a saúde individual não é determinada apenas por suas propriedades farmacológicas”, escreveu Nora. “Ela é determinada, também, pela sua disponibilidade e aceitação social.”

O tabaco e o álcool oferecem uma boa amostra do que pode acontecer. Juntos, eles respondem pela maior carga de doenças provocadas por drogas. Não porque eles sejam mais perigosos que as drogas ilegais, mas porque o status de droga legal aumenta a exposição da população a elas.

Estamos dispostos a pagar para ver com a moeda do desenvolvimento saudável?

Fonte: Revista Época

DIVERGÊNCIAS SOBRE REGULAMENTAÇÃO DO USO DE MACONHA PERSISTEM NO SENADO

Consenso em torno da regulamentação do uso recreativo, medicinal e industrial da maconha parece ainda estar longe de ser alcançado no Senado.

A única convicção firmada em torno do assunto, até o momento, é que as coisas não podem continuar do jeito que estão, e foi expressada pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF), nesta segunda-feira (8), na quarta audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) sobre a eventual transformação de sugestão popular neste sentido (SUG 8/2014) em projeto de lei.

— A gente não tem direito de colocar (a questão) debaixo do tapete. Precisamos de regras que impeçam que os jovens caiam nas drogas. O que se discute é se da maneira como estamos agindo, com proibição, estamos enfrentando essa tragédia ou se é melhor de outra forma. É preciso decidir se é melhor proibir ou regulamentar o uso -, sustentou Cristovam, relator da sugestão.

Enquanto os debates se sucedem, avança o entendimento em torno da regulamentação do uso medicinal da maconha. Mas quem defende essa causa diz que ela não deve se confundir com o uso recreativo da substância. Foi isso o que fizeram, nesta quarta-feira (8), o presidente interino da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) da Paraíba, Vital Bezerra Lopes, e o médico Pedro da Costa Melo Neto, residente no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Em carta enviada a Cristovam, o advogado Vital Bezerra reafirmou sua posição em defesa do uso do canabidiol (um dos princípios ativos da maconha) para fins medicinais e não recreativo. O médico Pedro da Costa Neto também afirmou ser necessário separar o uso medicinal do recreativo. Ele convocou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e os conselhos de medicina a firmarem uma posição clara – e rápida - sobre o assunto.

Depoimentos pessoais

Por outro lado, os embates têm sido mais intensos quando envolvem o uso recreativo da maconha. Nesta quarta-feira, usuários da substância fizeram relatos tanto favoráveis quanto contrários à flexibilização do consumo pessoal. Uma das experiências favoráveis ao uso recreativo em destaque partiu do servidor do Tribunal de Justiça do Distrito Federal Mauro Machado, usuário regular de maconha, que contou ter passado oito dias preso ao tentar comprar sementes de maconha, pela internet, para cultivo doméstico.

- Há um bom tempo eu faço uso social. Sou casado há cinco anos, nunca briguei com minha mulher, e tenho filhos. 

Existe um fator de risco (no uso) de qualquer substância psicoativa. Mas, se eu quero fazer uso que não prejudique quem quer que seja, a Constituição me dá esse direito – argumentou Machado.
Outro relato de impacto foi feito por Diva Araripe, mãe de ex-usuário de drogas que, segundo ela, chegou ao consumo de crack a partir do uso de maconha.

- Com a droga não dá para educar. Como se pode banalizar o pequeno traficante e o usuário? É por isso que as coisas não dão certo – desabafou Diva, revelando ter vivido esse drama pessoal por dez anos e conhecido dependentes químicos que se tornaram esquizofrênicos e tentaram o suicídio.

Próximo debate

Cristovam considerou os depoimentos pessoais importantes na busca de uma convergência em torno da regulamentação dos diversos usos da maconha. E adiantou a intenção de ouvir, na próxima audiência sobre a SUG 8/2014, o relato de mães que tiveram filhos presos por consumo.

O próximo debate da CDH deve acontecer no dia 22 de setembro e reunir o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ayres Britto; o diretor da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, Joaquim Falcão; a subprocuradora-geral da República Rachel Dodge; e a pesquisadora Maria Gorete Marques de Jesus, do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP).

Fonte: Uniad

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

ALCKMIN CRIARÁ ÓRGÃO PREVENTIVO ÀS DROGAS

Candidato à reeleição, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou ontem a criação de agência governamental que trabalhará exclusivamente na prevenção ao uso de drogas, a partir de 2015.

De acordo com Alckmin, o novo órgão foi incluído em sua plataforma de governo e prevê participação conjunta de prefeituras, Poder Judiciário, sociedade civil e entidades religiosas. “É ação detalhada que vamos envolver grupos para fortalecer o combate da dependência química. Você analisa cidade por cidade e faz uma coalizão para realizar essa ação e a agência vai controlar isso”, explicou.

O chefe do Executivo estadual acrescentou que o órgão terá em grande parte funcionamento móvel. “Vamos levar estrutura de prevenção a determinados locais. No caso dos municípios, repassaremos verbas para capacitação. Nosso objetivo é incluir um grande número de pessoas, para torná-las agentes de prevenção”, argumentou o tucano.

Segundo Alckmin, que anunciou a nova medida durante visita oficial realizada no Cratod (Centro de Referência em Álcool, Tabaco e outras Drogas), a ação obedece a um amplo estudo da Secretaria de Saúde do Estado, encabeçado pelo secretário Davi Uip, e pelo coordenador do programa para o combate ao crack no Estado, Ronaldo Laranjeira. 

“Esse estudo preventivo, e todas os combates à dependência química, eu tenho feito nos últimos 30 anos. A implantação da agência será ótima ferramenta”, destacou Davi Uip.
METAS

No Cratod, Alckmin exaltou o trabalho de sua gestão na recuperação de dependentes químicos, explorando os números atingidos neste tipo de atendimento. “Tínhamos 500 leitos e hoje saltaram para 3.000 entre hospitais e comunidades terapêuticas. É a maior rede de auxílio de tratamento no País”, enfatizou.

O chefe do Executivo projeta atingir 5.000 leitos para os próximos quatro anos. “Estamos trabalhando de maneira incisiva nesta expansão, credenciando inúmeras comunidades por todo Estado para atender o máximo de pessoas possível”, afirmou.

Em pouco mais de duas horas no Cratod, Alckmin realizou visita por todo o complexo e conversou com alguns dos internados, que reclamaram de falta de acomodação. “É natural que tenham dias de superlotação”, respondeu.

Durante a atividade, Alckmin entrou na sala de atendimentos e conduziu, por telefone, orientação para a filha de um pai, usuário de crack e cocaína.

Fonte: uniad

TÓQUIO DESEJA "PARAR DE FUMAR" COM A CHEGADA DOS JOGOS OLÍMPICOS DE 2020

Uma das imagens mais chocantes para os turistas estrangeiros ao desembarcar na capital japonesa é a dos restaurantes e bares repletos de fumaça, fato que pode mudar em breve devido à realização dos Jogos Olímpicos na cidade em 2020.

Isso porque, o megaevento esportivo poderia servir de desculpa para transformar Tóquio em uma cidade livre de tabaco, como defendeu o governador Yoichi Masuzoe.

Durante uma recente entrevista, Masuzoe reconheceu que ele gostaria de aprovar uma lei para proibir completamente o consumo de cigarros em estabelecimentos públicos até a realização dos Jogos Olímpicos de 2020.

"O Japão é o único país desenvolvido onde ainda é possível fumar nos restaurantes", disse o governador da sofisticada metrópole de 12 milhões de habitantes, que, por sinal, se mostra ciente de que a comparação com o "mundo avançado" poderá lhe ajudar a ganhar adeptos à causa.

A legislação japonesa pode parecer totalmente absurda aos olhos de um ocidental, já que, enquanto é permitido fumar em espaços fechados, na rua essa prática é completamente proibida. Embora essa lei dependa das normativas municipais, na maioria das cidades do Japão é proibido fumar em vias públicas.

Em Tóquio, por exemplo, só é possível acender cigarros em locais específicos e habilitados para isso, como canteiros e esquinas assinalados por cartazes, onde os fumantes se amontoam e compartilham cinzeiros.

Por outro lado, em locais fechados como bares e restaurantes, essa lei é muito menos restritiva.
Uma lei aprovada em maio de 2003 pede para "levar em consideração" o fumante passivo em locais públicos e sugere a criação de áreas separadas para os que não fumam.

No entanto, a norma não estabelece nenhum tipo de multa ou sanção e apenas 20% dos estabelecimentos de Tóquio proíbem o cigarro, o mesmo percentual daqueles que possuem separação entre fumantes e não fumantes.

"No Japão não se realiza uma proibição do tabaco pela falta de liderança e por causa dos vínculos dos políticos com a indústria tabaqueira do país", explicou à Agência Efe Yumiko Mochizuki, diretora do Instituto Nacional de Pesquisa do Câncer.

Neste aspecto, a médica se refere à poderosa Japan Tobacco, monopólio estatal até 1985 e da qual o governo japonês possui 50% de suas ações.

"Se falarmos apenas em termos econômicos, os números também falam por si mesmos", explicou Mochizuki ao lembrar que os impostos do tabaco fornecem aos cofres públicos 2 trilhões de ienes (cerca de 14,5 bilhões de euros) anuais, enquanto a despesa no tratamento de doenças relacionadas ao cigarro pode ser o triplo desse valor.

Os Jogos Olímpicos de 2020 poderiam ajudar a quebrar essa tendência no Japão, um país onde sete mil mortes de fumantes passivos e 130 mil por doenças relacionadas com o tabaco são registradas anualmente.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) mantém uma política antitabaco há quase duas décadas e colabora ativamente com a Organização Mundial da Saúde (OMS) em campanhas nesse sentido.

Os Jogos de Londres 2012 foram realizados em um país com uma rígida legislação que, desde 2007, proíbe o consumo de cigarros em lugares públicos fechados.

O certo é que no Japão, um país sem campanhas públicas agressivas contra o tabaco, a tendência de consumo está mudando, e os últimos dados mostram como o número de fumantes se situa abaixo de 20%, a taxa mais baixa desde os anos 60.

Apesar disso, a proposta do Governador não agrada todos os habitantes da capital japonesa, mas ganha cada vez mais simpatizantes.

"Estou farto de sair de noite e ter que enfrentar a fumaça. Me dá muita inveja quando viajo para o exterior e vejo que as pessoas podem voltar para casa sem que as roupas estejam empesteadas", comentou um cliente do COD, um bar onde não cabem mais de dez pessoas.

Fonte:Uniad

Risco de dependência por cigarro é maior que por cocaína, diz estudo

Relatório preparado pela organização de controle do tabagismo Campanha Crianças Livres do Tabaco (CTFK) lançado nesta terça-feira, 02, no Brasil, mostra que cigarros estão com mais poder de dependência e perigosos. Feito a partir da análise de pesquisas científicas e de documentos fornecidos pela indústria do tabaco, o trabalho afirma ser mais fácil tornar-se dependente de cigarro do que de cocaína e de heroína. A mudança, afirma o documento, é resultado de estratégia adotada pelas companhias.

Ao longo dos últimos 50 anos, assegura o relatório, os produtos passaram a apresentar um teor maior de nicotina, tiveram a inclusão em sua fórmula de amônia e açúcares, que aumentam seu efeito e tornam a fumaça mais fácil de ser inalada.O próprio formato do cigarro mudou: produtos passaram a trazer filtros com pequenos orifícios, muitas vezes imperceptíveis, que levam o fumante a aumentar o volume e a velocidade de aspiração. 

Alta engenharia, avalia o relatório, para aumentar a atratividade, facilitar o consumo e a dependência.Nicotina e heroína apresentam mecanismos semelhantes para o desenvolvimento da dependência, afirmou à reportagem um dos autores do relatório.Ele observou, no entanto, que o número de experimentadores de cigarro que se tornam dependentes é maior do que os que entram em contato com a heroína pela primeira vez.Documentos reunidos no relatório mostram que os teores de nicotina dos cigarros aumentaram 14,5% entre 1999 e 2011.Substância encontrada naturalmente na planta do tabaco, a nicotina, quando chega aos pulmões, é absorvida pela corrente sanguínea e em segundos é transportada para o cérebro. 

Os sintomas de abstinência surgem logo nas primeiras horas depois de parar de fumar.Pesquisadores afirmam no trabalho que a amônia acrescentada ao tabaco aumenta a velocidade com que a nicotina chega ao cérebro e a sua absorção, o que torna a sensação de prazer mais rápida e mais intensa. A amônia também torna a fumaça do cigarro mais suave, o que facilita a sua inalação pelos pulmões. Além da maior capacidade de desenvolver dependência, as mudanças ampliaram o risco de câncer de pulmão.As misturas do tabaco e os aditivos tornaram a fumaça do cigarro mais fácil de ser inalada, aumentando os níveis de nicotina no sangue e no cérebro. 

Outros agentes potencializaram o impacto da nicotina, como o acetaldeído produzido com a queima do açúcar adicionado ao cigarro. Tudo isso aumenta o risco de dependência.O pesquisador, que é da Universidade da Califórnia, ressaltou que, principalmente nos Estados Unidos, cigarros passaram a ter uma concentração maior de nitrosaminas específicas do tabaco, uma substância carcinogênica. Essa última mudança, associada com a adoção de filtros ventilados - que levam a inalações mais profundas - torna o fumante mais vulnerável e exposto a substâncias, aumentando o risco de câncer provocado pelo consumo do cigarro.

De acordo com o trabalho, apesar de fumarem menos, tanto homens quanto mulheres têm um risco muito maior de desenvolver câncer de pulmão e doença pulmonar obstrutiva crônica do que em 1964, quando foi divulgado o primeiro relatório produzido pelo governo americano sobre o impacto do tabagismo na saúde.O pesquisador americano ainda criticou a suspensão no Brasil da resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que proibia a adição de produtos que conferissem sabor para os cigarros.


Fonte: EXAME

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Dez motivos para não legalizar a maconha

Apesar da permanente estratégia da chamada corrente progressista que insiste na descriminalização e legalização de drogas, cuja Comissão Comissão Global de Política sobre Drogas, encabeçada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, acaba de lançar um curta-metragem ( 3 minutos ), sob o título "Guerra ao Drugo", onde a metáfora pretende desconstruir a ideia da repressão e da criminalização das drogas, salientando a violência resultante da ação contra o dragão que simboliza as drogas, penso que não se pode se render totalmente ao dragão. Metáfora é uma coisa, realidade é outra totalmente distinta. 

O perigo de descriminalizar e legalizar drogas é escancarar. ainda mais, a porta de entrada por onde mais e mais jovens ingressarão, num caminho quase sem volta, e iminente. Por isso apresento dez razões para, por exemplo, não legalizar o uso da maconha, ressalvados os reconhecidos casos de necessidade da cannabis para uso estritamente medicinal. 

Aí estão os dez perigosos efeitos possíveis que poderão ser resultantes da legalização da maconha:

- aumento do consumo e do número de usuários e dependentes;
- crescimento de doenças psiquiátricas;
- aumento do número de internações em clínicas e hospitais;
- aumento do custo com despesas médico-hospitalares, através de verbas do SUS, para atender mais dependentes;
- legalização de mais um câncer social, já não bastasse todos os males causados pelo uso do álcool e do cigarro;
- porta aberta para os jovens no consumo de drogas mais pesadas, nocivas e até letais;
- incerteza quanto ao fim do estigma social;
- traficantes continuariam de posse de seus arsenais;
- criação de um mercado paralelo ao estado e aos concessionários legalmente estabelecidos, despertando,
a possibilidade do contrabando e o interesse de cartéis internacionais das drogas, sendo o Brasil hoje não
tão somente um a rota de passagem mas um país de grande consumo de maconha e cocaína;
- aumento do número de acidentes de trânsito pela mistura álcool+maconha+energéticos+direção.

Não bastasse isso selecionei aqui dois depoimentos de especialistas em drogas da área médica, para reforçar a tese da não legalização. Aí estão os depoimentos:

" Na década de 60, quando a concentração do THC (tetrahidrocanabinol), o princípio ativo da maconha, era bem menor, pesquisas já apontavam para o aumento de três vezes o risco do desenvolvimento de psicose esquizofrênica".

Valentim Gentil Filho (Professor de Psiquiatria da USP com doutorado em Psicofarmacologia Clínica pela Universidade de Londres)


" A maior preocupação é com o adolescente. Até os 22 anos o cérebro ainda está em formação e pode ser afetado pelo uso da maconha, reduzindo o QI e causando doenças psiquiátricas ".

Fabricio Moreira (Professor de Farmacologia do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG)


" Já é aceito, pela maioria dos psiquiatras, que fumar e ficar dependente da maconha, aumenta o risco de psicose no indivíduo, mais especificamente a esquizofrenia"

Killian A. Welch (Médico da Universidade de Edimburgo Escócia)


Portanto, como se vê, descriminalizar drogas pode ser autêntico tiro pela culatra. Uma emenda pior que o soneto. Quer queiramos ou não o que ainda segura um pouco a expansão do consumo de drogas é o seu caráter proibitivo. Não podemos deixar a juventude brasileira a mercê do "Dragão das Drogas". A melhor estratégia, na guerra contras as drogas, continua sendo a prevenção, a repressão qualificada e a internação para tratamento dos dependentes que realmente necessitam. Concomitantemente é preciso investir na prevenção primária contra a violência com escola de tempo integral. ensino profissionalizante, .programas sociais, emprego e geração de renda. Drogas não agregam valores sociais positivos.

Milton Corrêa da Costa é tenente coronel da reserva da PM do Rio de Janeiro e estudioso em violência urbana

ESTERILIDADE E MACONHA

Uma viúva que trabalhava arduamente tinha por hábito acordar suas jovens criadas com o canto do galo para a lida. Cansadas de tanto trabalhar sem trégua, as criadas resolveram matar o galo. Achavam que a razão de toda sua desgraça era ele, que acordava a senhora antes de o dia nascer. Qual nada! Morto o galo, o destino delas piorou ainda mais pois a senhora, sem o galo e, consequentemente, sem seu relógio, as convocava ainda mais cedo.

Muito frequentemente nossas desgraças são o fruto de nossas próprias escolhas.
As drogas pioram a nossa vida!

A droga pode afetam mais do que a saúde física. Estudos em 2008 associaram anos de uso pesado de maconha à anormalidades no cérebro. Isso é respaldado por uma pesquisa anterior sobre os efeitos a longo prazo da maconha, que indica que as mudanças no cérebro são similares àquelas causadas pelo uso a longo prazo de drogas mais pesadas. 

Muitos estudos têm mostrado a conexão entre o uso continuado de maconha e psicose.

A maconha muda a estrutura das células do esperma, deformando-as. Dessa forma, até mesmo pequenas quantias de maconha podem causar esterilidade temporária nos homens. O consumo de maconha pode transtornar o ciclo menstrual da mulher.

Estudos revelam que as funções mentais das pessoas que fumaram muita maconha tendem a ser danificadas ou diminuídas. O THC na maconha corrompe as células nervosas do cérebro, afetando a memória.

A maconha é uma das poucas drogas que causa divisão anormal das células, conduzindo a graves defeitos hereditários.

Nos últimos 10 anos, muitos consumidores de maconha nasceram com iniciativa reduzida e diminuta capacidade para se concentrar e perseguir objetivos na vida. Estudos sugerem que o consumo da droga por mulheres grávidas pode resultar em fetos defeituosos, em anormalidades mentais e em risco de leucemia na criança.

Efeitos a curto prazo

Distorção sensorial, pânico, ansiedade, coordenação motora escassa, empo de reação reduzido.

Efeitos a longo prazo

Resistência reduzida à doenças comuns, como resfriados, gripes e bronquites, supressão do sistema imunológico, 
distúrbios de crescimento.

Você sabia?

As abelhas fabricam o mel, na perseverança de mil vôos, mediante uma curiosa indústria química que só elas conhecem. Não fabrique o fel da sua desgraça e desventura, depositando pensamentos negativos nos “favos” da sua mente, nos sulcos da sua caminhada peregrina.

Os hábitos nascem da repetição. Quem pensa no êxito cria o melhor hábito do mundo: o hábito benfeitor da esperança, da felicidade. Os pensamentos negativos, ao contrário, lavram, prematuramente, nossa certidão de óbito...

Viver é batalhar sem nunca esmorecer. Há gente, com letra grande, que faz da vida um altar, por estar consciente de que viver é repartir, é partilhar.
“Senhor, enquanto tento transmitir a mensagem, ajuda-me a lembrar de que nem todos querem ouvir e ver e têm de aprender como eu tive de aprender.”

HAROLDO J. RAHM, SJ - Presidente de Honra do Instituto Padre Haroldo e do Amor-Exigente

Fonte: Uniad