quinta-feira, 18 de setembro de 2014

COMISSÃO ANALISA GARANTIA DE ASSISTÊNCIA INTEGRAL A ADOLESCENTES USUÁRIOS DE DROGAS

A presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Mirian dos Santos, afirma que os Caps, não conseguem atender as crianças e os adolescentes que têm problemas com drogas

O Estatuto da Criança e do Adolescente pode sofrer alterações. Projeto de lei do Senado (PL 4767/12) prevê que o Poder Público garanta assistência integral e multiprofissional às crianças e aos adolescentes dependentes químicos ou com problemas decorrentes do uso de drogas. A proposta prevê, ainda, a promoção de campanhas de prevenção do uso de drogas lícitas e ilícitas.

Mirian dos Santos, presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, explica que,atualmente, os Centros de Atenção Psicossocial, os Caps, não estão conseguindo atender as crianças e os adolescentes que têm problemas com as drogas. Segundo Mirian, a metodologia de tratamento precisa mudar.

"Infelizmente, a metodologia que está sendo utilizada dentro desse centro de referência não está dando conta de fazer com que os adolescentes deixem o vício. Tem que se criar uma metodologia diferenciada para o tratamento e acompanhamento deste adolescente. Eles estão querendo algo mais acolhedor, porque hoje a gente sabe que eles são acolhidos na base da violência e da repressão."

Relatora do projeto na Comissão de Seguridade Social e Família, a deputada Benedita da Silva, do PT do Rio de Janeiro, lembra que o envolvimento de crianças e adolescentes com o crack é crescente e preocupante. Para a deputada, é importante que existam políticas públicas agindo com a mesma agilidade com que a droga vem matando os adolescentes.

"Nós estamos trabalhando para que a lei seja cada vez mais aprimorada, porque já se constatou que temos 50 mil usuários de crack com essa faixa etária de crianças e adolescentes, mas é preciso que a gente dê agilidade às politicas de proteção, de acompanhamento e de prevenção."

O projeto que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente e trata de políticas públicas voltadas às crianças e aos adolescentes vítimas do uso de drogas está sendo analisado pela Comissão de Seguridade Social e Família. Depois, segue para a Comissão de Constituição e Justiça.

Fonte:Agência Câmara de Notícias

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Depressão, alcoolismo e esquizofrenia podem levar ao suicídio

Em setembro é celebrado o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. A data, instituída pela Organização Mundial de Saúde, visa a alertar para dados alarmantes de que cerca de um milhão de pessoas se matam todos os anos no mundo. No Brasil, há 26 casos de suicídio por dia. De acordo com a entidade, a taxa de suicídio entre adolescentes e jovens aumentou 30% nos últimos 25 anos.

O psiquiatra José Manoel Bertolote afirma que este é um tema que deve ser discutido a fim de que hajam ações efetivas de prevenção por parte da sociedade. “O suicídio é uma das três primeiras causas de morte, sobretudo de jovens, em todo o mundo. E o panorama nacional mostra que, além de o suicídio ser predominante em jovens no Brasil, há um aumento brutal nos últimos 15 a 20 anos. Por isso, a importância do Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio começa por alertar para esses fatos”, frisa.

Transtornos mentais como depressão, alcoolismo e esquizofrenia, segundo o especialista, podem levar o indivíduo a cometer suicídio. “O suicídio é uma causa de morte multideterminada, ou seja, há muitas causas ou fatores que podem interferir, e não uma causa única. O que sabemos é que em mais de 90% dos suicidas há a presença de algum transtorno mental, sendo que os três mais frequentes são a depressão, o alcoolismo e a esquizofrenia. Portanto, um bom tratamento de doenças mentais é a melhor forma de prevenir e reduzir os suicídios”, esclarece José Manoel.

Como o suicídio não acontece até os cinco anos e até os 10 é muito raro, o psiquiatra alerta que essa ação começa a ser mais frequente somente a partir dos 14 anos. “E também entre esses jovens, os principais fatores de risco são os transtornos mentais. Existe um grande número de jovens deprimidos que já tomam bebidas alcoólicas de forma abusiva e usam drogas. O tratamento desses jovens é justamente a maneira mais eficaz de reduzir a taxa de suicídios. Outra questão é falar sobre seu sofrimento, pois todo indivíduo que tenta ou comete suicídio é alguém que sofre. Um sofrimento, aliás, que muitas vezes é ignorado pelas pessoas mais próximas, apesar dos sinais. Uma forma de tratar isso é nos colocarmos à disposição do que os incomoda”, completa o especialista.

Fonte:Jornal da manhã

Festas de dance music matinais sem álcool fazem sucesso em Nova York

"Você faz um pouco de exercício, se sente ótimo fisicamente, e é uma festa incrível para dançar".

Três fantoches reluzentes, no formato de medusas, serpenteavam pela pista de dança, iluminando largos sorrisos e rostos encharcados de suor de pessoas que dançavam alucinadamente.

Retumbantes remixes house de "Everybody Wants to Rule the World", dos Tears for Fears, e "Work It", de Missy Elliott, sacudiam os parapeitos da pista.

Dois DJs socavam o ar, e um pequeno grupo de músicos de sopro apareceu para acompanhar o ritmo eletrônico, sob intensas luzes estroboscópicas.

Cenas ruidosas como essa são habituais em Williamsburg, no Brooklyn, bairro associado à moderna cultura da música eletrônica e a jovens de roupa cintilante. No entanto, nem tudo era familiar nesta rave chamada Daybreaker, no clube Verboten.

Para começar, os 400 participantes usavam roupas esportivas e trajes profissionais passados, em vez de vestidos provocantes e camisetas divertidas.

Alguns tinham o olhar bem alerta, mas muitos outros bocejavam e se agarravam a xícaras de café. Quando os corpos colidiam na confusão da pista, as desculpas muitas vezes terminavam com "Tenha um bom dia".

Esse uso das palavras era importante, assim como a cafeína. Eram 8h da manhã. A festa Daybreaker, que vai das 7h às 9h três vezes por mês, é um dos dois novos eventos matutinos de música eletrônica que atraem o público no Brooklyn e Manhattan.

Apresentado como uma opção de exercício e saudável inversão de cultura dance, os eventos têm outras novidades além do fato de começarem ao alvorecer: neles não há álcool, e sim café e água com infusão de frutas, distribuídos no bar em vez das costumeiras libações noturnas.

O evento, que estreou em dezembro e se desloca de um lugar para outro, escurece os espaços para imitar a experiência de uma rave, de forma bem convincente.

"Aqui é como um cassino; não há nenhuma noção de tempo", disse o analista financeiro Malcolm Ring, 24. Ele acordou às 5h30 para vir à Daybreaker. "Eu normalmente iria correr agora, mas isto é mais agradável."

Os frequentadores pareciam apreciar o ambiente mais sóbrio. "No bar geralmente só tem amendoim industrializado e bebidas fortes", disse a executiva de contas Rachel Wasserman, 28.

"Você faz um pouco de exercício, se sente ótimo fisicamente, e é uma festa incrível para dançar", disse Matthew Brimer, 27, um dos fundadores da festa.

"A cultura dance e da música underground tende a ficar encaixotada nessa ideia de que você precisa de álcool ou drogas para se divertir. O que estamos tentando dizer é que há todo um mundo de experiência criativa e de dança, música e arte."

O Morning Gloryville, outro evento dance matinal, surgiu em Londres, em maio de 2013, e realizou no primeiro semestre seu primeiro evento no Brooklyn. Ali também há DJs de música eletrônica, além de massagens e ioga.

Mas, ao contrário da Daybreaker, com sua atmosfera noturna descolada, o Morning Gloryville acontece em um espaço claro e aberto, com um ar mais extravagante -os funcionários distribuem colares de flores para os frequentadores, que começam a chegar às 6h30.

O Morning Gloryville também rejeita o álcool. "Se você está acostumado a se esconder ou a fugir no álcool e nas drogas, e depois você descobre que pode se divertir genuinamente e fazer conexões significativas sem isso, é realmente fortalecedor", disse Annie Fabricant, 32, coprodutora de festas em Nova York.

"Mas nossa equipe não é ferrenhamente antidrogas ou antiálcool. É apenas uma oportunidade de experimentar a dança de uma maneira diferente."

A produtora de eventos Samantha Moyo, 28, cocriadora da Morning Gloryville no Reino Unido, disse: "Nosso negócio é resgatar o ´flower power`".

A ênfase das festas na sobriedade parece ser também algo idealista e midiático: um evento de dança às 7h com um bar abastecido favoreceria as acusações contra uma subcultura já associada às drogas e ao álcool.

"Não vi ninguém tratar isto como um evento ´after-hours`", disse Brimer. "Nós realmente desencorajamos."

Essa marca de eventos se expandiu para Barcelona, na Espanha, e em breve chegará a Paris, Zurique, Tóquio e várias outras cidades. Já a Daybreaker chegou a San Francisco e Londres e criou uma linha de roupas.

"Não há limite para o que podemos fazer com a marca", disse Radha Agrawal, 35, outra cofundadora da Daybreaker. "Tem havido muito interesse." 

Fonte:The New York Times

CERVEJA NA CHUPETA: CONTATO PRECOCE COM A BEBIDA PODE FAVORECER O VÍCIO NA FASE ADULTA

Alguns acham engraçado, outros o fazem por hábito cultural. Ainda há os que pensam que, assim, vão desestimular os filhos a beber no futuro. O fato é que não é raro os adultos oferecerem um pouco de álcool às crianças, seja molhando a chupeta na cerveja, seja deixando que tomem um golinho. Embora não exista consenso se a prática poderá, mais tarde, influenciar um comportamento de abuso ou adição, especialistas alertam que, por trás da brincadeira, está a permissividade familiar em relação à bebida alcoólica. E isso, sim, pode ter consequências negativas.

Na edição do próximo mês da revistaAlcoholism: Clinical Experimental Research, será publicado um artigo de pesquisadores americanos no qual se procurou investigar como crianças com menos de 12 anos têm esse primeiro contato com a bebida. Os especialistas do Centro Médico da Universidade de Pittsburgh e do Centro de Pesquisa em Adição da Universidade de Michigan não estavam interessados em analisar o comportamento de adolescentes que bebem regularmente ou consomem drinques eventuais. Na verdade, queriam entender o que se passa antes disso, uma fase que chamam de iniciação na prova do álcool.

“O primeiro drinque regular não é, geralmente, a primeira experiência que muitas crianças têm com a bebida”, observa o psiquiatra Robert A. Zucker. Segundo o pesquisador de Michigan, embora pesquisas indiquem que apenas 7% de adolescentes com 12 anos já tenham tomado o primeiro drinque, mais da metade deles experimentou alguma vez antes, por volta dos 8 anos. “E, apesar disso, historicamente, essa ‘provinha’ de álcool na infância tem recebido muito pouca atenção de nós, pesquisadores”, reconhece o médico, acrescentando que, para o estudo, beber tem o significado de consumir uma dose inteira e provar quer dizer tomar um ou poucos goles.

Os especialistas utilizaram dados de um estudo longitudinal sobre fatores de risco para ingestão precoce de álcool, o Projeto Adolescente. No início da década de 2000, uma amostra de 452 crianças — 238 meninas e 214 meninos — de 8 a 10 anos e suas famílias foi escolhida aleatoriamente e contatada pelos pesquisadores. Os pequenos, então, passaram por uma entrevista com ajuda de computador, assim como os pais deles. Os questionários foram refeitos três vezes ao longo de 18 meses. Sete anos e meio depois, os participantes voltaram a ser procurados pelos investigadores.

A abordagem com as crianças consistia em perguntar se elas sabiam que bebidas como licor, cerveja e vinho continham álcool e questionar se já haviam provado alguma delas. Aquelas que diziam “sim” deveriam clicar em todos os contextos nos quais isso havia ocorrido: cerimônia religiosa, jantar com a família, festa familiar, sozinhas ou com alguém fora do seio familiar. Então, perguntava-se se já haviam tomado um drinque inteiro alguma vez. Os pesquisadores colocaram no grupo de abstêmios as que só tinham provado álcool na prática religiosa. Quanto às demais, 201 tinham tomado pelo menos um gole na infância.

União de fatores
Nas entrevistas, também se procurou saber se as crianças achavam que os pais aprovavam esse comportamento. Um teste semelhante foi aplicado com os adultos, que deveriam responder se tinham alguma objeção em relação ao contato precoce dos filhos com a bebida, além de dizer se consumiam álcool e em com qual frequência. O fator que mais influenciou as crianças a provar o álcool foi a percepção da aprovação dos pais. O fato de o pai e/ou da mãe beber socialmente também teve influência. “Por sua vez, as respostas das famílias foram bem de acordo com as das crianças, com os pais admitindo que aprovavam plenamente que seus filhos tomassem alguns goles de álcool”, conta Zucker.

Na amostra analisada, passados sete anos e meio, nenhuma dessas crianças haviam desenvolvido problemas como abuso de álcool, consumo de maconha e outras drogas, delinquência e comportamento sexual de risco. “Isso sugere que, sozinho, o fato de provar álcool na infância não está relacionado ao envolvimento com esses tipos de problema na adolescência”, diz o pesquisador.

O que não significa, contudo, que está tudo bem oferecer golinhos de bebida para crianças. “Essa pesquisa também sugere que, se as crianças não percebem seus pais como desaprovadores, elas serão mais propensas a tomar o primeiro passo no uso de álcool. Mais do que isso, ela mostra que, se os pais bebem na frente dos filhos, estes também terão maior propensão a beber quando crianças. Espero que isso faça os pais mais cautelosos a respeito de beber na frente dos filhos e sobre as mensagens que estão enviando para elas quanto à bebida”, afirma o coautor do estudo, John E. Donovan, psiquiatra do Centro Médico da Universidade de Pittsburgh.

Além disso, Donovan alerta que pesquisas anteriores — algumas conduzidas por ele — indicam que provar o álcool na infância aumenta os riscos de se começar a beber regularmente antes da idade adulta. De acordo com Ana Cecília Marques, presidente da Associação Brasileira de Estudo do Álcool e Outras Drogas (Abead), os que experimentam a bebida aos 12 anos têm 12% de risco de se tornarem dependentes, percentual que vai para 2% quando esse contato é feito aos 22. “O ideal é adiar ao máximo possível”, aconselha a psiquiatra.

Festeje, mas eduque
Para o psiquiatra John E. Donovan, do Centro Médico da Universidade de Pittsburgh, uma das principais mensagens da pesquisa do Centro Médico da Universidade de Pittsburgh e do Centro de Pesquisa em Adição da Universidade de Michigan é que a permissividade dos pais em relação ao consumo do álcool — próprio ou por parte das crianças — deve ser repensada.

Presidente da Associação Brasileira de Estudo do Álcool e Outras Drogas (Abead), Ana Cecília Marques concorda. “A história do álcool tem a ver com a história da humanidade, está até na Bíblia. Por isso, não é tão fácil fazer a prevenção. Mas o modelo parental é fundamental para a estruturação dos filhos, é preciso explicar para a criança e para o adolescente que, quanto mais tarde experimentar, melhor.”

A psiquiatra afirma que os pais não precisam se tornar abstêmios. “Mas, se estão em uma festa de adultos e os filhos também estiverem ou forem brindar em um momento especial, têm de aproveitar para ensinar que aquele não é um produto para crianças e adolescentes. Também têm de prestar atenção à quantidade e não ficar enchendo a cara na frente dos filhos. Não vejo como erradicar a bebida alcoólica do planeta, mas é preciso proteger os filhos sendo pais equilibrados”, diz.

Aos 13 anos, França* ficou órfão de pai e, a contragosto, foi designado pela mãe como o “homem da casa”. Até então, jamais havia chegado perto de álcool. O pai, operário que ajudou a construir Brasília, não era “farrista”, embora a mãe gostasse de beber escondida. Por volta dos 15, 16 anos, quando arrumou o primeiro emprego, o rapaz começou a frequentar festas e, em uma delas, se embriagou. Chegou em casa constrangido, mas se surpreendeu com a reação materna. “Em vez de me repreender, ela disse que homem tinha de ter um vício”, recorda.

Sem responsabilizar a mãe pela dependência que desenvolveu, hoje, França, 56 anos, está internado pela segunda vez em uma clínica de reabilitação. “Ela bebia escondida desde moça. Morreu no fim do ano passado aos 86 anos e eu soube que tinha bebido. Mas não a responsabilizo. Eu continuei a beber porque gostei, porque aquilo me dava prazer”, ressalta.

Inclinação natural
Diretora da Clínica Renascer, a psicanalista Janete Krissak Pinheiro observa que existe uma inclinação natural na sociedade para encontrar a culpa no outro, principalmente no que diz respeito aos comportamentos de dependência, como o alcoolismo. “Mas, independentemente da família estimular a bebida, se acontece um efeito de prazer, é isso que fica. Não é porque você vive em um meio em que é muito mais fácil beber que vai se tornar alcoolista.”

Contudo, a psicanalista reforça a importância de os pais darem o exemplo e colocarem limites nos hábitos dos filhos. “A criança é o fruto da educação que recebe. Embora não dê para classificar que beber é algo insano, você também não vai começar a beber às 10h e parar às 16h. A criança vê isso. Obviamente, se a família traz essa mensagem de permissividade com o álcool, a criança vai entender e assimilar isso como algo natural. O desenvolvimento do alcoolismo se dá porque algo na ordem do limite não foi associado pela criança”, reforça.

Entre os pacientes da Clínica Renascer, está João*, 52 anos, há mais de 80 internado para reabilitação. Diferentemente de França, ele começou a beber tarde, com 21 anos. Embora dependente, decidiu jamais deixar que os filhos, hoje dois homens de 18 e 21 anos, chegassem perto de bebida no ambiente doméstico e nunca deu uma provinha para eles. “Depois que eles nasceram, álcool dentro de casa só o de limpeza”, conta. A falta de incentivo parece ter surtido efeito — nenhum dos dois bebe.

Fonte:Uniad

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Tabagismo vicia mais que drogas ilícitas

Relatório preparado pela organização de controle do tabagismo da Campanha Crianças Livres do Tabaco (CTFK) divulgado, terça-feira, revela que cigarro está viciando mais que cocaína ou heroína. Uma das causas apresentadas pelo estudo são os teores de nicotina dos cigarros que aumentaram, 14,5%, entre 1999 e 2011. 

De acordo com um dos autores do estudo, o professor da Universidade da Califórnia David Burns, apesar de a nicotina e heroína apresentarem mecanismos semelhantes para o desenvolvimento da dependência, o número de experimentadores de cigarro, os que se tornam dependentes, é maior do que os que entram em contato com a heroína pela primeira vez.

Essa prevalência, afirma o documento, é resultado de estratégia adotada pelas companhias de alta engenharia para aumentar a atratividade e facilitar o consumo e a dependência. A pesquisa constata que ao longo dos últimos 50 anos os produtos passaram a apresentar um número maior de teor de nicotina. Além da inclusão na fórmula do cigarro, de amônia e açúcares que aumentam seu efeito e tornam a fumaça mais fácil de ser inalada. 

As mudanças não se limitam apenas à fórmula do cigarro. O formato mudou e passaram a trazer filtros com pequenos orifícios, muitas vezes imperceptíveis, que levam o fumante a aumentar o volume e a velocidade de aspiração. 

Especialista

De acordo com pneumologista e cirurgião-torácico Roberto Ramos Caiado, a nicotina, substância encontrada naturalmente na planta do tabaco, é uma droga com maior causa de dependência chegando ser mais que a cocaína. "A nicotina é uma substância com reconhecida capacidade em causar dependência à proporção de usuários de tabaco, mesmo que sejam eles casuais, e tende a evoluir", descreve.

Pontua ainda que a proporção de usuários de tabaco é maior que dos usuários de cocaína, heroína ou álcool. Sendo esta uma droga lícita causadora de dependência e prejudicial à saúde. O especialista chama a atenção para os perigos do cigarro. "O tabagismo é o mais importante fator de risco, isolado, de doenças graves e fatais, o fumante fica exposto há mais de quatro mil substâncias das quais muitas são cancerígenas", alerta.

Pesquisadores afirmam que a amônia acrescentada ao tabaco aumenta a velocidade com que a nicotina chega ao cérebro e a sua absorção, o que torna a sensação de prazer mais rápida e intensa. A amônia também torna a fumaça do cigarro mais suave, o que facilita a sua inalação pelos pulmões. O pneumologista Roberto Caiado alerta que de todos adolescentes que experimentam o cigarro, cerca de 70% se tornam dependentes.

Além da maior capacidade de desenvolver dependência, as mudanças ampliaram o risco de desenvolverem mais doenças como o câncer de pulmão. Isso porque as misturas do tabaco e os aditivos tornaram a fumaça do cigarro mais fácil de ser inalada, aumentando os níveis de nicotina no sangue e cérebro. 

Fato que leva os fumantes a ficarem mais propensos a desenvolver desde doenças como bronquite crônica, enfisema nos pulmões, câncer de pulmão, cânceres de boca, laringe, ou estômago. Até mesmo a redução da capacidade de aprendizado, memorização e impotência sexual. Caiado destaca a importância das pessoas não iniciar o uso dessa substância, sendo esta altamente viciante. "O tabagismo é reconhecido como uma doença crônica que é gerada pela dependência na nicotina", informa. O médico ainda explica que o tratamento para deixar de fumar existe, mas é preciso que a pessoa esteja determinada a parar e passar pelo tratamento. 

Fumo sim

O professor de Inglês Luiz Eduardo Kruger, 22 anos, fuma desde os 15, mas conta à reportagem do Diário da Manhã que somente a partir dos 18 anos de idade passou a fumar com mais frequência. Ele, hoje, fuma cerca de 15 cigarros, por dia, e revela as influências que o levaram ao tabagismo. "Comecei a fumar logo nas saídas com alguns de meus amigos que fumavam e meu irmão também", conta.

Luiz Eduardo assegura nunca ter tido problemas de saúde por causa de cigarro, no entanto, reconhece os prejuízos que o mesmo pode trazer à saúde. "Certamente o cigarro é altamente viciante, não sei se tanto quanto a outras drogas, mas o cigarro causa dependências química e física. Quando eu comecei a fumar, meu pai – que nunca fumou – me disse que todo fumante um dia pensa em parar. Hoje concordo com ele. Nunca pensei ou tentei parar de fumar, mas tenho certeza que esse dia chegará", reconhece.

As companhias usam os aditivos como sabor para que os cigarros aumentem o número de vendas, e ainda atrair jovens e evitar que pessoas abandonem o tabagismo. Parece que a estratégia tem funcionado, na balada, Kruger chega fumar mais de uma carteira numa noite e descreve a experiência do vício: "O cigarro acalma e me deixa relaxado. Sempre que fumo tenho a sensação de tranquilidade", conclui. 

Fonte: Diário da manhã

Manifesto contra a legalização das drogas no Brasil

Estamos diante do maior problema de Saúde Pública e de Segurança existente, hoje, no Brasil: a epidemia do uso de drogas. É tarefa de todos os brasileiros colaborar para que ela seja enfrentada e  reduzida. Nossa população, principalmente os milhões de jovens, mais vulneráveis a este mal devastador,  e suas famílias, podem e devem sonhar com um futuro melhor para todos!

As entidades, instituições e individuos  que subscrevem este documento uniram-se para manifestar à Nação sua  oposição à pretendida legalização das drogas em nosso país. Individualmente, somos cientistas, profissionais da Saúde, parlamentares, religiosos, comunicadores, professors e sobretudo pais, preocupados com o risco inerente à decisão de se dar tratamento equivocado a uma gravíssima questão social. É o que vem acontecendo e é o que certamente se agravará com tal estratégia, simplista na forma e danosa nas consequências.

1. A alarmante situação brasileira

O consumo de drogas não é um mal que se restrinja somente aos usuários. As consequências sociais, psicossociais e econômicas do consumo de drogas se multiplicam muito além deles. No âmbito familiar, segundo dados recentemente divulgados pela Universidade Federal de São Paulo, para cada dependente de drogas ilícitas existem, em média, mais quatro pessoas afetadas de forma devastadora, comprometendo, em inúmeras dimensões, uma população de quase 30 milhões de brasileiros. No âmbito social, parte substantiva da violência a que está exposta nossa população guarda estreito vínculo causal com o consumo de drogas. E o consumo vem aumentando continuamente no Brasil, ao longo dos últimos vinte anos! O Conselho Internacional de Controle de Narcóticos, entidade ligada à ONU, emitiu relatório informando que em apenas seis anos, entre 2005 e 2011, o consumo de cocaína, em nosso país, avançou de 0,7% para 1,75% da população na faixa etária entre 12 e 65 anos. Isso corresponde a uma adesão ao uso problemático e à dependência quatro vezes superior à média mundial e 25% maior que a média da América do Sul.

Nesse cenário, há que sublinhar dois fatos irrecusáveis. De um lado, a enorme dificuldade, em todos os níveis de governo, de eleger e adotar políticas que sejam efetivas, quer na prevenção, quer no tratamento. De outro, essa ineficiência convive com verdadeiro lobby, muito bem organizado, difundindo a ideia de que a melhor solução seria a completa legalização de todas as drogas, começando pela maconha. Essa estratégia está muito evidente. Primeiro se descrimina o uso, depois o “pequeno tráfico”, em seguida se legaliza a maconha para uso “medicinal” e recreativo, para finalmente legalizar todas as drogas.

Faz parte desse lobby pela legalização, o argumento de que o álcool e o tabaco, não obstante causarem dependência e transtornos físicos e mentais, têm seu consumo legalizado. Então, concluem – “Por que não legalizar as demais drogas?”. Ora, fazê-lo seria andar na contramão do bom senso e do que a experiência ensina em relação ao álcool e ao tabaco. Exatamente por sabermos que ambos são danosos à saúde dos indivíduos e à saúde pública, os signatários deste manifesto são favoráveis, também, ao aumento das restrições ao consumo dessas duas substâncias.

A história do mundo, nos últimos 200 anos, é rica em exemplos de países que liberaram as drogas aqui consideradas ilícitas, e sofreram verdadeiras tragédias sociais. Todos voltaram atrás, sem exceção,  e aumentaram o rigor no seu enfrentamento. A redução do número de dependentes químicos e da mortalidade pela violência, só aconteceu nos países que trataram essa questão com muito rigor!

2. Um debate falso e inútil

É preciso quebrar a polarização instalada no debate nacional e internacional sobre as melhores políticas a serem adotadas para o controle das drogas ilícitas. Os defensores da legalização creem que uma singela mudança legislativa seja o bastante para resolver tão complexo problema. Os que optam pela repressão pura e simples, defendem uma solução punitiva, dominantemente penal. Os primeiros querem só eliminar as penas. Os outros, só endurecê-las. E ambos parecem convencidos de que isso baste.

Não bastará. Nenhuma dessas duas abordagens, é suficientemente humana, realista, efetiva, ou se baseia nas melhores evidências científicas disponíveis. Vários países, como os Estados Unidos, Reino Unido, Suécia, Itália, estão trilhando uma “terceira via” em relação ao controle das drogas. Estabelecida a partir de evidências científicas, essa abordagem coloca ênfase na prevenção e no tratamento.

O Brasil precisa mudar o falso dilema em que se digladiam as atuais abordagens do assunto. Com esse intuito, propomos:

3. Os 10 princípios de uma boa política antidrogas

1º – Os Direitos Humanos são parte fundamental dessa política. Os cidadãos, em especial as crianças, têm o direito de viver num ambiente seguro e livre de drogas, quer em sua família, quer na comunidade.

2º – A redução do consumo de drogas nas comunidades deve estar no núcleo dessa política. A melhor forma de reduzir os danos causados pelas drogas é reduzir o consumo. Em epidemias virais, o mais importante é diminuir rapidamente a circulação do vírus. Vale o mesmo para as drogas. Sem diminuir sua circulação nas ruas, os problemas só serão agravados.

3  - O Brasil é o único país do mundo que faz fronteira – gigantesca fronteira! – com todos os produtores de coca. Por isso, temos que ser muito mais rigorosos no controle que outros países, para podermos diminuir a circulação e a oferta dessa destruidora mercadoria. Aderir à facilidade de acesso ou dificultar a ação de combate ao tráfico agravará a situação e facilitará o aumento da disponibilidade. E o consumo, inevitavelmente, crescerá. Para isso o uso e o tráfico devem continuar sendo considerados crimes, e devem ser punidos. O primeiro com penas alternativas, que podem incluir medidas com as da Justiça Terapêutica, e o segundo com prisão prolongada.

4º – Uma boa política nacional em relação às drogas deve reconhecer que a dependência química é uma doença crônica do cérebro, que deve ser tratada e, antes disso, prevenida. Tanto a Saúde Pública quanto a Segurança Pública estabelecem ações complementares, necessárias e que devem estar presentes.

5º – As atividades de Prevenção, Tratamento e os Serviços de Recuperação, devem integrar-se no Sistema de Saúde pública. O SUS deve implementar práticas de tratamento baseadas em evidências. E deve abandonar de vez a “redução de danos” como política única, tanto para prevenção quanto para tratamento.

6º – Um plano de prevenção, municipalizado, deve proporcionar atendimento adequado. É indispensável que sejam criados programas específicos, para todas as crianças e adolescentes do país e, em especial, para grupos de risco, como são, por exemplo, os que abandonam precocemente a escola. Os profissionais da Saúde e da Educação devem estar plenamente capacitados para exercer atividades de prevenção e detecção precoce do uso.

7º – O que hoje é disponibilizado como sistema de tratamento é escasso e inadequado. Faz-se necessário abandonar a exclusividade dos Centros de Atenção Psicossocial para Álcool e Drogas (CAPS-AD) como a única alternativa de tratamento. O SUS deve financiar clinicas de desintoxicação e as Comunidades Terapêuticas. O acesso ao tratamento de qualidade deve ser direito de todo usuário do SUS. Sem isso, precisamente as famílias mais carentes de recursos não têm como ser socorridas. As internações, voluntárias ou não, em locais adequados, com critérios médicos competentes devem estar disponíveis a quem necessite, na hora da necessidade.

8º – As famílias devem ter acesso a programas de orientação específicos, que proporcionem o conhecimento dos meios de prevenção ao uso de substâncias. Pais, mães, avós, chefes de família, devem ser os primeiros “agentes de prevenção”, a começar pelas substâncias lícitas, como álcool e tabaco. Além disso, devem estar previamente informados sobre como lidar se e quando algum de seus membros começar a usar drogas, bem como conhecer estratégias de desestímulo ao consumo. É imprescindível o suporte do poder público e das comunidades aos grupos de apoio que precisam tornar-se a primeira mão estendida para os familiares com problemas.

9º – O sistema de recuperação social, ou seja, o conjunto das ações que devem acontecer após a interrupção do uso não prescinde de amplo suporte estatal e social. São ações como as levadas a cabo por Igrejas no apoio à recuperação e reinserção social, e pelos grupos de ajuda mútua – Alcoólicos Anônimos (AA), Narcóticos Anônimos (NA), Amor Exigente (AE). Tal apoio precisa abranger a reabilitação profissional das pessoas em recuperação.

10º – A rede de pequenos e médios traficantes ampliou-se enormemente nos últimos anos. Faz-se urgente definir estratégias para desorganizá-la. Além das indispensáveis ações policiais e penais, é preciso, no âmbito de cada município, monitorar a ação dos pequenos traficantes. Os defensores da liberação confundem, intencionalmente, os pequenos traficantes com os usuários. Defendem a retirada da pena de prisão para os primeiros, alegando serem usuários que traficam para manter o vício. Ora, mais de 90% do tráfico que chega aos consumidores é levado pelo pequeno traficante. A rede de pequenos e médios traficantes ampliou-se enormemente nos últimos anos. Faz-se urgente definir estratégias para desorganizá-la. É preciso, no âmbito de cada município, monitorar a ação dos pequenos traficantes.

Se não for possível tirá-los das ruas, todo esforço para diminuir a oferta será inócuo. Esses pequenos traficantes devem ser internados em unidades prisionais especiais, com tratamento associado. Tirá-los da rua é essencial para desorganizar o tráfico e diminuir  a circulação das drogas.

Fonte: Abead

Mulher já é um em cada cinco usuários de crack

A Pesquisa Nacional sobre o Uso de Crack – Quem São os Usuários de Crack e/ou Similares do Brasil? Quantos São nas Capitais Brasileiras?, realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), verificou que 20% dos que frequentam as chamadas cracolândias são mulheres. O trabalho ouviu 32.359 pessoas, sendo que 24.977 responderam ao questionário nos próprios domicílios e 7.381, nos próprios locais de uso da droga.

Além de responderem os questionários, os usuários fizeram testes de HIV e hepatite, que indicaram que, entre as mulheres, 8,17% eram portadoras do HIV, índice que, nos homens, chegava a 4,01%. Com hepatite C, as mulheres representaram 2,23% dos infectados e os homens, 2,75%.Segundo um dos coordenadores do trabalho, o médico Francisco Inácio Bastos, do Laboratório de Informação em Saúde (LIS), pertencente ao Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), o perfil das mulheres pesquisadas é muito negativo. “Até para mim, que sou acostumado a trabalhar nessa área, nunca tinha visto uma população feminina tão maltratada e tão magoada. Agressão física, abuso sexual, nenhuma assistência pré-natal. Quando me perguntam o que me chocou mais como médico, eu digo que foi ver pessoas em uma situação tão precária, precisando tanto de ajuda”, contou à Agência Brasil.

A pesquisa apontou que menos de 5% dos entrevistados permaneceram no tratamento até o último mês. Para o coordenador, ficou claro que a porta de entrada dos usuários de crack no sistema de saúde não é via tratamento da dependência química, mas por meio dos cuidados gerais de saúde, como curativos, tratamento de dente e da boca. O médico acrescentou que, no caso das mulheres, seria natural que o contato com o sistema de saúde ocorresse por necessidade de realizar o pré-natal, mas não é isso o que ocorre.“No momento das entrevistas, 10% das mulheres relataram que estavam grávidas. 

O que não quer dizer que tiveram o filho, porque algumas perderam e outras abortaram. Quando se vai para o padrão desejável em termos de pré-natal, que são sete consultas, menos de 5% delas fizeram pré-natal regular”, disse.O coordenador defendeu que os governos deveriam fazer um plano integrado para tratamento do abuso de substâncias químicas vinculado à rede geral de saúde e não apenas aos centros de dependência química. “A grande via do usuário grave se inserir no sistema de saúde é via sistema de saúde geral, são as UPAs [unidades de Pronto-Atendimento], são os programas de Saúde da Família, porque, para o tratamento de dependência química, a proporção que continua é muito baixa. 

É uma conclusão triste”, explicou.O Icict também está fazendo uma análise da criminalidade na ausência de programas de apoio aos usuários de crack, para complementar o trabalho. Francisco Inácio Bastos disse que, o que se notou de diferença no tratamento de usuários foi o resultado obtido com a adoção de programas específicos, porque nos locais em que foram implementados houve queda de violência. “Houve uma redução global da taxa de criminalidade e houve uma vinculação dos usuários com programas gerais de saúde”, disse.A pesquisa foi feita entre o segundo semestre de 2011 e o primeiro semestre de 2013 nas 26 capitais de estado e no Distrito Federal, dividida em três abordagens. 

A primeira com avaliações em todas as capitais, a segunda nas nove regiões metropolitanas e a última nas cidades pequenas e de médio porte. Agora, o instituto está lançando o livro digital sobre a pesquisa, que pode ser obtido no site do Icict.

Fonte:OBID