sexta-feira, 1 de agosto de 2014

NO BRASIL, AINDA NÃO HÁ CONSENSO SOBRE LEGALIZAÇÃO DA MACONHA

No Brasil, a legalização da maconha ainda alimenta opiniões divergentes. Para Ronaldo Laranjeira, coordenador da Comissão de Dependência Química e diretor da Associação Brasileira de Psiquiatria, não há um consenso sobre se a legalização seria a melhor medida.

— A própria Associação Médica Americana já se posicionou contrária — afirma o médico, que diz ser perigoso quando uma questão de saúde se transforma em uma questão política.

Laranjeira acredita ainda que a posição atual do presidente americano Barack Obama “é muito em função do voto dos jovens”. O médico questiona o jornal por sugerir a proibição da droga para menores de 21 anos e afirma não ter dúvida que, mesmo assim, haverá um aumento de consumo entre os adolescentes.

— Seria uma ingenuidade historicamente imperdoável achar que proibir a venda para menores de 21 anos impediria o consumo dessa faixa etária — disse, ao dar exemplo do que ocorre com o álcool ou mesmo o tabaco nos EUA.

Em relação aos dependentes químicos, ele acredita que não haverá muita diferença.

— O dependente vai continuar usando. Para ele, importa mais o preço e a disponibilidade que, no Brasil, mesmo na ilegalidade, é alta — opina.

A legalização do uso medicinal é aguardada e apoiada principalmente pelas famílias que precisam do canabidiol (CBD), substância química encontrada na maconha que, segundo estudos científicos, tem grande potencial terapêutico neurológico.

Os pais de Anny Bortoli Fischer, Norberto e Katiele Fischer, após algum tempo comprando o medicamento de forma ilegal, foram os primeiros a obter na Justiça autorização para importá-lo. A menina de 5 anos tem uma rara doença chamada Síndrome de Rett CDKL5. Segundo o casal, o CBD controlou as crises convulsivas.

—O canabidiol está salvando a vida da minha filha. Ela tinha quase uma crise a cada duas horas. Com o CBD ela está se desenvolvendo, está evoluindo — disse o pai.

A mãe lembra que o medicamento não é uma cura para a doença, mas traz alívio e qualidade de vida para a menina.
Katiele acredita que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) poderia ter um pouco mais de pressa para analisar os pedidos e tomar um posicionamento mais rápido. A agência recebeu, desde abril, 36 pedidos para liberar o produto. Desses, 18 foram liberados e 12 aguardam exigências. No mês que vem, a Anvisa deverá votar a reclassificação do composto.

Fonte: Uniad

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